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  • Tailane Sifuentes

Dependência Afetiva

Como cuidar do seu emocional para não cair nessa (ou para se recuperar, se for o caso)




Antes de falar de dependência, primeiro precisamos desconstruir o mito da independência. Não é possível sermos completamente independentes, pois somos seres sociais e certo nível de dependência é natural e necessário. Somos interdependentes e é preciso deixar isso claro.


Dito isso, abordo a dependência afetiva num nível que já não é saudável para nós, no nível do sofrimento.

Quem nunca se sentiu ansioso ou angustiado aguardando o contato de alguém que gosta, ou já se preocupou com algum sinal de rompimento? Dói, e é real.


Quando estamos num lugar de dependência afetiva, é como se vivêssemos nessa ansiedade e angústia constante. Há uma insegurança que fundamenta esse emocional e nesse lugar de insegurança é como se precisássemos ficar alertas o tempo todo para algum movimento de ameaça.



Essa dependência pode surgir:


- Em relações abusivas, em que um dos lados fomenta a dependência no outro através de jogos emocionais e manipulações;

- Em relações potencialmente saudáveis, mas que um dos lados já vem com alguma insegurança fundamentada na sua história pessoal;

- Em relações potencialmente saudáveis, mas num momento de vida difícil e de maior vulnerabilidade.

- Em relações tóxicas, em que há muita imaturidade emocional por uma ou ambas as partes e que a dinâmica da relação está fundamentada na insegurança.



O que eu quero dizer com tudo isso é que, pode ser que a pessoa tenha maior propensão à dependência emocional devido à própria história de vida, bem como ela pode desenvolver devido à circunstâncias de vida. Em ambas as situações, é necessário trabalhar o autoconhecimento e desenvolver-se naquilo que está faltante.



Quais são os sinais da dependência afetiva?


Leve:


- Depende da companhia do outro para fazer coisas do dia a dia;

- Depende da opinião do outro para tomar decisões;

- Não se diverte se não estiver na companhia deste;

- Coloca o companheiro ou companheira num pedestal;

- Sente que é sua obrigação fazer o outro se sentir bem e feliz;

- Necessidade constante de aprovação.


Agravado:


- Suas emoções, sonhos e desejos são reprimidos para viver a vida do outro;

- Não se sente capaz de fazer nada na vida se não estiver com o outro;

- Se sente vazio/vazia quando o outro não está junto;

- Sente pânico ao se imaginar sem essa pessoa;

- Não sabe mais quem é sem o outro;

- Submissão extremada;

- Sensação de abstinência ao estar longe da pessoa.




Como se cuidar para não cair nessa dinâmica


- Fortalecer seu senso de identidade e autoestima.


Para que você tenha menos chances de se perder na identidade do outro, você precisa ter bem fortalecido para você quem você é.


Primeiro, se pergunte: Do que eu gosto? O que me dá prazer? No que eu sou boa? Do que não abro mão? O que eu não aceito?

Depois, exercite: Como posso fazer mais disso na minha vida?


- Criar outros apoios emocionais e focos de felicidade


Um dos maiores erros é colocar a fonte da felicidade só na relação. Somos seres com muitos aspectos e precisamos cuidar para que termos outras fontes de bem-estar. Relação com amigos, hobbies, trabalho, família, saúde são alguns deles. Quanto mais preenchidos formos, mais pilares teremos para nos sustentar caso algum deles caia.


- Desenvolver autonomia


Algumas pessoas estabelecem vínculo de dependência por não se verem capazes de fazer as coisas sozinhas. De resolver seus problemas, tolerar a solidão e sentir prazer na própria companhia. Ter confiança em si para dar conta da própria vida é importante para não sentir que precisa de alguém para isso.



"Já estou numa relação de dependência, como posso sair disso?"



Primeiramente, tenha em mente que não é um trabalho rápido. É importante exercitar muita paciência e compaixão consigo mesmo/mesma, pois se perceber nesse lugar pode gerar mais vergonha e culpa, além de um senso de urgência. Tudo isso é compreensível, mas esses sentimentos já fazem parte de estar nessa condição, então cultivar uma nova maneira de lidar consigo mesma é importante para reverter a situação.


Dito isso, os 3 tópicos anteriores são necessários de serem desenvolvidos, acrescentando-se a eles o desenvolvimento do autocontrole e a tolerância a frustração.


Além disso, ter a consciência do que te faz estar nesse lugar da dependência (se é da relação em si, se é uma tendência das suas relações, sua história de vida e suas circunstâncias atuais) e ter apoio de um profissional para te ajudar na construção dos pilares faltantes, é o que faz a maior diferença, pois você passa a se conhecer profundamente e assim aprende quais são os pontos específicos que precisam de maior atenção e cuidado.



Se você se percebe nessa condição e quer ajuda para lidar com isso, entre em contato comigo aqui ou aqui. Se conhece alguém que precisa de ajuda, compartilhe esse texto. Eu sei o quanto pode ser dolorido, mas o importante é que é possível se fortalecer e se tornar seu próprio pilar.

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